O tempo em frente da telinha e os riscos para a saúde

O tempo em frente da telinha e os riscos para a saúde

 

 

 

Desde meados do século passado, a carga diária de atividade física que as pessoas praticam tem sofrido grandes alterações. De fato, diversas mudanças nos meios de transporte, de comunicação, do nosso ambiente de trabalho e das atividades de lazer fizeram com que nos tornássemos menos ativos.

Há alguns anos, muitos pesquisadores da comunidade científica vêm examinando o impacto do tempo excessivo que passamos em frente da telinha (assistindo televisão, jogando vídeo games, ou usando a Internet), e como isso afeta os nossos níveis de prática física e os nossos hábitos alimentares.

 

 

Desse modo, um estudo recentemente divulgado na publicação científica Journal of Human Nutrition and Dietetics concluiu que hábitos alimentares saudáveis estão relacionados com um maior grau de atividade física diária, enquanto o comportamento sedentário (tempo excessivo em frente das telas) afeta a nossa conduta alimentar de forma negativa.

Os resultados do estudo, conduzido pelo Dr. Hazzaa Al-Hazzaa, revelaram uma associação significativa entre a prática física e o consumo de alimentos mais saudáveis como o de frutas e de legumes. Por outro lado, um maior tempo de sedentarismo foi associado ao aumento do consumo de refrigerantes, de fastfood, de sobremesas, de doces e de outras opções com valores nutricionais inferiores.

Assim sendo, parecem estar em jogo muitos mecanismos relevantes, sendo eles sociais, psicológicos, entre outros, que fazem com que o tempo que passamos assistindo televisão afete a qualidade da dieta e dos nossos costumes alimentares em geral.

No estudo do pesquisador Al-Hazzaa, o período total gasto diante da tela de TV ou do computador foi calculado somando-se o tempo em frente de ambos, seja assistindo programas, jogando vídeo games ou surfando na Internet.

“Nossa pesquisa em adolescentes mostrou que o tempo passado assistindo televisão e outros tipos de atividades em frente da tela apresentavam as mesmas correlações com o estilo de vida dos participantes. Seus hábitos alimentares e suas rotinas de atividade física eram semelhantes, e por isso nós combinamos o tempo de televisão às outras atividades como tempo total”, afirmou Al-Hazzaa.

Segundo o professor, “recentemente as práticas de marketing para os alimentos e para as bebidas se intensificaram, especificamente aquelas que têm como alvo as crianças que passam horas em frente da televisão assistindo entre uma programação e outra, anúncios de alimentos hipercalóricos e refrigerantes de baixo custo sem nenhum valor nutricional. As grandes empresas gastam anualmente bilhões na publicidade de alimentos. Isto coloca, obviamente, a saúde das crianças em risco e incentiva-as a deixar de lado dietas mais saudáveis e adequadas”.

O pesquisador também me disse que os jovens estão usando mais do que nunca as novas mídias sociais, e que tal tendência iria continuar.

 

 

“A televisão tradicional, que era colocada na sala de estar, não é mais a única tela que os jovens utilizam. De fato, alguns estudos apontam que os aparelhos de TV e a Internet, instalados nos quartos das crianças, são fontes de risco para obesidade ainda maiores”, elaborou o acadêmico.

A Dra. Susan Sisson, professora da University of Oklahoma, respeitada pesquisadora na área, e que não teve nenhum envolvimento com o estudo do Dr. Al-Hazzaa, fez a seguinte declaração: “Existe a possibilidade de que ao assistir TV, isso nos leve à distração, principalmente quando ao mesmo tempo fazemos alguma refeição. Isto faz com que não percebamos que estamos cheios. Além disso, a publicidade exerce uma forte influência sobre os espectadores e pode levá-los a fazer lanches naquele momento e até a ter, mais tarde, desejos de um fastfood em particular que tenha sido anunciado”.

“A descoberta mais importante da minha pesquisa, e em particular de um estudo que publiquei no American Journal of Preventative Medicine, foi a conclusão de que, com a diminuição do tempo que assistimos televisão, a qualidade dos hábitos alimentares aumenta em todas as faixas etárias, desde crianças em idade pré-escolar até os adultos,e tanto no sexo masculino como no feminino”, acrescentou a pesquisadora.

Além das correlações entre o tempo que se passa em frente da tela e os maus hábitos alimentares, a literatura científica também aponta para o risco de uma série de complicações médicas.

Segundo a professora Sisson, “o tempo excessivo que se assiste televisão tem sido associado com diversos tipos de estados patológicos, incluindo com o aumento da taxa de mortalidade em populações diversas, além de ter sido relacionado com doenças metabólicas e com a obesidade”.

O Dr. Al-Hazzaa concorda que “em populações adultas, há evidência científica significativa associando comportamentos sedentários (incluindo o tempo excessivo que se passa em frente da televisão), a muitas doenças crônicas, como por exemplo, cardiopatias e diabetes”.

 

 

Ele observou ainda que “em crianças, muitos estudos têm indicado que o tempo em frente da tela do computador e da TV é associado a fatores de riscos relacionados com doenças não transmissíveis como a obesidade, o aumento da pressão arterial e a anormalidade de gorduras no sangue”.

Logo, o fato de a obesidade ser um grande problema para diversas populações em todo o mundo me fez questionar se os resultados dos estudos que determinam o impacto do tempo que passamos assistindo televisão são suficientemente significativos para que as suas conclusões se apliquem a diversas populações e culturas.

A Dra. Sisson me disse que os resultados das pesquisas epidemiológicas são muito contundentes e foram reproduzidos em vários estudos e em diversas populações. “Está claro que há riscos associados ao tempo excessivo passado assistindo televisão em todos os grupos de pessoas”, disse ela. A médica ainda acrescentou que “o mecanismo exato ou o desenvolvimento dos riscos destas doenças ainda são desconhecidos.”

Finalmente, tais pesquisas parecem ter implicações práticas importantes para a saúde em geral e para o bem-estar das pessoas.

“Cada pessoa deve tentar diminuir o tempo que passa assistindo televisão, bem como adicionar alimentos mais saudáveis em sua dieta, como, por exemplo, grãos, frutas e vegetais. Também é importante consumir menos refrigerantes e alimentos hipercalóricos. Estas são pequenas mudanças no dia a dia que podem fazer uma diferença significativa. Tais dicas são particularmente importantes para serem implantadas pelos pais de crianças pequenas, pois cabem a eles o poder de decisão sobre o que seus filhos devem comer e o tempo que vão passar em frente da TV”, disse a investigadora Sisson.

O Dr. Al-Hazzaa me disse que muitos especialistas recomendam que as pessoas façam pausas frequentes, com o intuito de se movimentarem, enquanto estão assistindo televisão, jogando vídeo games, ou usando a Internet.

“Na verdade, pode ser muito boa ideia seguir as sugestões da Academia Americana de Pediatria, que recomenda limitar o tempo que as crianças e os adolescentes passam em frente da TV e outras telas a não mais do que duas horas por dia”, concluiu ele.

One Response to “O tempo em frente da telinha e os riscos para a saúde”

  1. Sr. WordPress

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